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Ministro Gilmar Mendes apresenta balanço do primeiro semestre

Terça-feira, 01 de julho de 2008

Ao final da sessão plenária de encerramento do semestre, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, apresentou um balanço das atividades. “Foram emitidas 65.564 decisões, tanto monocráticas como colegiadas, e finalizados 44.611 processos no primeiro semestre de 2008”, disse o presidente do STF. O Plenário julgou 450 processos em 17 sessões ordinárias e 24 extraordinárias, além de listas de agravos regimentais interpostos contra decisões da Presidência, totalizando 2.650 casos.

O destaque do semestre foi para a redução no número de processos distribuídos aos ministros. O STF recebeu 53.011 processos no primeiro semestre, um número 10% menor que o registrado no mesmo período de 2007 – resultado de medidas adotadas para conter a tramitação de processos similares na Corte.

Segundo o presidente, em virtude da maior seleção decorrente da aplicação do instituto da Repercussão Geral e pelas novas competências da Presidência, apenas 39.061 desses processos foram efetivamente distribuídos aos ministros para relatoria. “Isso representa uma redução de 39% na distribuição dessa Corte em relação a 2007”, informou.

Desse número, 21.336 são Agravos de Instrumentos e 14.808 são Recursos Extraordinários. No primeiro semestre, o STF examinou 28.846 recursos antes mesmo da autuação, sendo que 9.420 deles tiveram a distribuição negada pelo grupo de seleção de recursos que analisa a presença de pressupostos básicos.

Na avaliação do presidente, os institutos inaugurados pela Emenda Constitucional 45 foram amplamente desenvolvidos na primeira metade do ano. “Foram editadas sete novas súmulas vinculantes e foi assentada a existência de repercussão geral de 73 temas constitucionais. Em outros 19 casos a repercussão foi afastada”, declarou. Ele lembrou que o Plenário já decidiu o mérito de seis casos com repercussão geral reconhecida e iniciou o julgamento de outros dois.

Com a análise prévia da repercussão geral e a crescente edição de súmulas vinculantes, foi possível a melhor seleção dos casos que se tornarão leading cases e o bloqueio do envio das matérias à Suprema Corte. Gilmar Mendes, contudo, ressaltou que “isso não significa uma sonegação do direito da parte de discutir o tema, no âmbito do STF, o que poderá ser feito na condição de amicus curiae (amigo da Corte)” .

“Não se trata de frustrar o direito da parte no âmbito do Recurso Extraordinário, mas apenas de um instrumento de racionalização dos afazeres dessa Corte”, defendeu. Ele lembrou que os interessados podem trazer memoriais e “iluminar a corte” inclusive com participação na tribuna.

Por fim, o presidente destacou casos considerados expressivos pela sociedade brasileira incluídos na pauta de julgamentos do primeiro semestre, entre eles a liminar que suspendeu artigos da Lei de Imprensa e os julgamentos da Lei de Biossegurança, da vinculação do adicional de insalubridade ao salário mínimo, da possibilidade de medidas provisórias disporem sobre créditos extraordinários e a revisão da Súmula 343 (sobre ação rescisória em questão constitucional).

Manifestações

O ministro Marco Aurélio, com a ausência do decano da Corte, ministro Celso de Mello, falou na posição de mais antigo membro do Tribunal. Ele elogiou a racionalização dos trabalhos no STF. “Creio que o Supremo passa por um período profícuo em termos de prestação jurisdicional, profícuo em termos de repercussão da atividade desenvolvida junto à sociedade brasileira”, disse. Já o advogado-geral da União, José Antônio Toffoli contou que a racionalização dos procedimentos faz a advocacia sair ganhando, por ter resultados mais rápidos das decisões em todas as instâncias. “Ganha toda a sociedade brasileira, ganha o País”, afirmou.

O procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza manifestou-se, em nome do Ministério Público, com “aplausos pelo trabalho relevante e extremamente profícuo desenvolvido da Corte nestes primeiros seis meses”.

Destaques

O STF fecha o primeiro semestre de 2008 com dez súmulas vinculantes aprovadas. A maioria delas – sete ao todo – foi editada nos primeiros seis meses deste ano, durante a gestão do presidente Gilmar Mendes. As três primeiras súmulas vinculantes da Corte foram aprovadas em maio do ano passado, em uma mesma sessão plenária.

Os textos das súmulas tratam dos assuntos mais diversos, entre bingos e loterias, prescrição e decadência de crédito tributário, remuneração de jovens que prestam serviço militar obrigatório, validade de acordo para recebimento de recursos do FGTS, etc. Em comum, elas têm o poder de vincular os tribunais e a administração pública em todo o país, que ficam obrigados a seguir o entendimento do STF sobre o assunto sumulado.

Na esteira da aprovação das súmulas vinculantes, estão os julgamentos dos recursos extraordinários com repercussão geral reconhecida, por tratarem de temas de grande relevância jurídica, econômica, social ou política.

Foi no início deste ano, mais exatamente no dia 30 de abril, que esses processos começaram a ser levados ao Plenário do STF. A partir daí, eles ganharam o destaque que merecem desde que a ferramenta da repercussão geral foi criada, em 2005, pela Emenda Constitucional nº 45. Neste primeiro semestre, foram julgados seis temas. Cinco foram sumulados.

Ciência, imprensa e MPs

A atuação do STF nos primeiros seis meses do ano foi muito além do julgamento dos processos com repercussão geral e da aprovação das súmulas vinculantes. A Corte também se pronunciou sobre temas de grande relevância mundial e nacional.

O destaque fica com a liberação das pesquisas com células-tronco embrionárias, contestadas por meio de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade ajuizada pelo ex-procurador-geral da República Claudio Fonteles. Quando a questão foi julgada em definitivo, nos dias 28 e 29 de maio, os olhos do mundo se voltaram para o Brasil.

Fonteles alegou que essa linha de pesquisa científica seria uma violação ao direito à vida dos embriões liberados para os estudos na Lei de Biossegurança. A tese foi rechaçada pela Corte. Dos 11 ministros do STF, seis afirmaram que a lei não merece reparo. Outros cinco sugeriram que a Corte fizesse adendos à norma. Três queriam que as pesquisas só fossem liberadas se os embriões não fossem destruídos. Prevaleceu a opinião da maioria, e hoje as pesquisas estão liberadas no país.

Dias antes, em 14 de maio, o STF julgou outro tema recorrente nas manchetes da imprensa: a edição de medidas provisórias (MPs) pelo presidente da República. A Corte deu uma guinada de jurisprudência e, pela primeira vez, disse que cabe ao STF avaliar os requisitos constitucionais de urgência e relevância para a edição de MPs.

A questão foi discutida por meio de uma ação direta de inconstitucionalidade ajuizada pelo PSDB contra a abertura de créditos extraordinários por meio de medida provisória. Com uma liminar, o STF barrou o repasse dos créditos por entender que eles não se destinavam a despesas imprevisíveis e urgentes, como manda a Constituição Federal. Até essa decisão, o STF deixava a interpretação do que é urgente e relevante a critério do Executivo e do Congresso.

Outra decisão de destaque do STF foi a liminar que, em fevereiro, suspendeu 20 dos 77 artigos da Lei de Imprensa, editada em 1967, em pleno regime militar. A norma foi contestada pelo PDT, fato que permitiu à Corte se posicionar sobre o tema. A previsão é de que o julgamento definitivo da lei ocorra somente em agosto, mas isso não impediu que ministros afirmassem que a norma é uma forma de garrotear a imprensa.

Raposa Serra do Sol

A controvérsia da demarcação da reserva indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, mobiliza o país e será decidida no STF. No primeiro semestre, o Tribunal já fez determinações importantes sobre o tema. A principal foi impedir a demarcação definitiva da reserva, com a não retirada dos não-índios do local, até que os ministros analisem a legalidade dela, o que está previsto para ocorrer em agosto.

A relevância da questão levou o presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, o relator da matéria, ministro Carlos Ayres Britto, e a ministra Cármen Lúcia Antunes Rocha ao estado de Roraima. Ao explicar para a imprensa as razões da viagem, realizada no dia 22 de maio, o presidente do STF destacou que o objetivo foi "conhecer uma realidade de todo peculiar", já que a reserva engloba área de fronteira e diferentes etnias, algumas da Venezuela e da Guiana.

O meio ambiente também foi destaque nos julgamentos realizados pelo STF no primeiro semestre do ano. Três questões ganharam destaque: a importação de pneus usados do Mercosul, o custo da compensação para o impacto gerado pela concessão de licenças ambientais e a utilização de amianto, produto apontado como tóxico em vários estudos científicos.

A importação dos pneus usados foi debatida na segunda audiência pública realizada pelo STF. A primeira foi sobre as pesquisas com células-tronco embrionárias, convocada pelo relator do tema na Corte, ministro Ayres Britto. No caso dos pneus, a convocação foi feita pela ministra Cármen Lúcia, relatora da ação ajuizada pelo governo com o intuito de proibir a importação de carcaças de pneus, usadas por empresas nacionais como matéria-prima mais barata para a fabricação de pneus reformados. O evento ocorreu no dia 27 de junho e contou com argumentos de especialistas pró e contra a importação.

Sobre a utilização do amianto, produto considerado tóxico e proibido mundo afora, inclusive pela União Européia, o STF deu outra guinada de jurisprudência ao julgar constitucional, em pedido de liminar, uma lei de São Paulo que proibiu a utilização do produto no estado.

Foi a primeira vez que o Tribunal, por maioria de votos, considerou que o princípio constitucional da proteção da saúde deveria se sobrepor ao entendimento de que normas estaduais não podem dispor sobre a comercialização de produtos fabricados com amianto, questão de competência da União.

Direito Penal

Os temas criminais também tiveram espaço privilegiado na pauta de julgamento das sessões plenárias do STF no início do ano. O esquema do mensalão voltou a ser debatido pela primeira vez, após o recebimento da denúncia que tornou réus os 40 acusados, em agosto do ano passado. Após recusar os recursos de dez réus, o STF iniciou uma nova etapa no processo, que passou para a fase do depoimento das testemunhas de acusação.

A constitucionalidade da especialização das varas do Poder Judiciário também foi firmada pelo STF no primeiro semestre de 2008. Com a decisão, foi definitivamente afastada a possibilidade de que julgamentos realizados por varas especializadas em crimes contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro, por exemplo, fossem anulados ou retrocedessem para antes do recebimento da denúncia.

De portas abertas

Fazer uma administração "absolutamente transparente e aberta" foi o compromisso firmado pelo presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, com a sociedade diante da imprensa de todo o país. Mendes faz a afirmação no dia 24 de abril, um dia depois de sua posse na Corte.

No mês seguinte, o STF inaugurou um novo canal de comunicação com a população ao lançar a Central do Cidadão. Estruturada na Presidência do STF, a Central do Cidadão permite que qualquer pessoa encaminhe sugestões, críticas, dúvidas ou elogios relacionados às ações do Tribunal.

 

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