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Expositores do 2º painel abordam o papel da imprensa na consolidação do Mercosul

Segunda-feira, 21 de novembro de 2005

“O papel dos órgãos de imprensa na consolidação do Mercosul” foi tema do painel presidido pela vice-presidente do STF, ministra Ellen Gracie, no início da tarde de hoje, durante as atividades do 3º Encontro de Cortes Supremas do Mercosul e Associados.

Ao dar início às exposições, a ministra ressaltou a proposta da criação de agenda de notícias comum aos principais meios de comunicação dos países integrantes do bloco. Ela considerou de grande importância a abertura desse espaço para que jornalistas de diferentes países ampliem o número de informações na mídia sobre o Mercosul e os países que o compõem.

A primeira palestra do painel foi realizada pelo presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Nelson Pacheco Sirotsky. “Acredito que esse debate deve ser apenas o início de uma reflexão mais aprofundada, que gere ações efetivas para consolidar nossas conquistas e nos permita fazer avançar a indústria jornalística independente e responsável na região”, disse Sirotsky.

Ele propôs a idéia de um fórum dos meios de comunicação do Mercosul, que seria um desdobramento do encontro, a fim de unir a discussão de temas de interesse da imprensa sobre o Mercosul. Indústria do dano moral, acesso à informação pública e o aproveitamento de veículos como a TV Justiça do Brasil seriam alguns dos assuntos abordados pelo fórum. “Devemos valorizar os meios de comunicação como instrumentos de cidadania. E isto só acontece com liberdade, sem adjetivos ou subterfúgios”, finalizou.

O segundo expositor, o secretário de redação do Jornal La Nación (Argentina) e representante do Grupo de Diários de América (GDA), Jorge Elias, afirmou que os interesses nacionais ainda são mais importantes do que os interesses do Mercosul. “O Mercosul é um adolescente de 14 anos e, por essa razão, não possui uma cultura própria”, disse ele, ao destacar que o jornalismo e a liberdade de expressão são o “pilar de toda a democracia”.

Em sua palestra, o editor-executivo do jornal O Globo (Brasil), Ascânio Seleme, ressaltou que os países do Mercosul têm histórias e urgências diferentes. “O Mercosul deveria ser uma dessas urgências para a mídia brasileira, mas não é”, declarou. Para Seleme, o bloco não gera notícia em volume e qualidade suficientes para serem publicados freqüentemente, por isso o papel do Mercosul na imprensa brasileira está reduzido.

Entretanto, ele considerou que os veículos de comunicação podem ser elementos de integração. “O Mercosul se afirma como um bloco mais político e econômico do que social e as agendas culturais e sociais poderiam ser de interesse mútulo entre os países”, disse Ascânio Seleme, lembrando que os brasileiros têm mais informações dos Estados Unidos e da Europa do que do Uruguai. “Havendo identidade, há notícia”, completou.

De acordo com ele, pesquisa encomendada pelo jornal O Globo revelou, entre outros assuntos, que 62% dos leitores têm interesse pelo Mercosul, enquanto 38% são indiferentes. A enquete, realizada entre os dias 11 e 13 de novembro deste ano, foi respondida por 148 assinantes do jornal com classes sociais distintas. 

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